Coitados” — pensou o homem. — “Quanta ilusão. Um dia o circo pega fogo, a morte chega e de que serviu essa alegria toda?
- Caio Fernando Abreu. Uma fábula chatinha, in: Pequenas Epifanias (via caiofernandoabreu)
Ajudem a construir um site oficial para o Caio F. Abreu

Por toda a sua obra, para que isso não se perca, e para que um número cada vez maios de pessoas tenha acesso a informações referentes ao Caio Fernando Abreu: surge a ideia de criar um SITE OFICIAL para o escritor”.

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Xô, não, vamos lá, eia, avante, companheira, hei-de-vencer, Deus-provê e eu-mereço-mais, devem ser NOSSOS lemas na Nova República. Fique bem, please. Paciência — é preciso ter infinita paciência. Olhar meigo para tudo & todos. Humildade, decência, recato & pudor. A um passo da santidade.
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Caio F. Abreu, “Carta a Jacqueline Cantore, Sampa, 26 de março de 1985” in Caio Fernando Abreu: Cartas, de Italo Moriconi.

(Source: irremediavel)

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No meio dessas turbulências emocionais, uma sensação de estar aqui em férias, de estar de passagem. E culpas: que tenho mais é que ir pro tanque e me punir um pouco, que não é justo tanta coisa, tanta gente. Tento tirar o máximo de sofrimento, e não consigo. Não há quase sofrimento, só no máximo confusão. Neste andor, acabo musa do próximo verão, ão, ão.
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Caio F. Abreu, “Carta a Jacqueline Cantore, Rio, 05/06/83” in Caio Fernando Abreu: Cartas, de Italo Moriconi.

(Source: irremediavel)

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Quero que daqui pra frente a vida seja hoje. A vida não é adiável.

Caio F. Abreu, “Carta a Jacqueline Cantore, Vila de Santa Teresa, 20/05/83” in Caio Fernando Abreu: Cartas, de Italo Moriconi.

(Source: irremediavel)

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Gosto de olhar as pedras e os desenhos do vento na superficie da água, gosto de sentir as modificações da luz quando o sol está desaparecendo do outro lado do rio, gosto de sentir o dia se transformando em noite e em dia outra vez, gosto de olhar as crianças brincando no corredor de entrada e das palmeiras que existem no meio da minha rua — gosto de pensar que vou sempre ter olhos para gostar dessas coisas, e por mais sozinho ou triste que eu esteja vou ter sempre esse olhar sobre as coisas. Não sei muito, também não tenho muito, também não quero muito, mas estou aprendendo a respirar o ar das montanhas.

Caio F. Abreu, “Carta a Vera Antoun, Porto Alegre, 21 de março de 1972” in Caio Fernando Abreu: Cartas, de Italo Moriconi.

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De vez em quando choro, é bom chorar, eu não tenho vergonha, mas em todos os momentos existe a certeza de ter feito uma escolha acertada, de estar caminhando em direção à luz. Não nego nada do que fiz, também não tenho arrependimentos ou mágoas: eu não poderia ter agido de outra maneira […]
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Caio F. Abreu, “Carta a Vera Antoun, Porto Alegre, 21 de março de 1972” in Caio Fernando Abreu: Cartas, de Italo Moriconi.

(Source: irremediavel)

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De repente eu me vi adulto e de mãos vazias, sem sequer um eletrodoméstico para satisfazer essas pessoas que nos exigem realizações o tempo todo.

Caio F. Abreu, “Carta a Vera e Henrique Antoun, Porto Alegre, 23º de dezembro de 1971” in Caio Fernando Abreu: Cartas, de Italo Moriconi.

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imaginem um mundo de coisas limpas e bonitas, onde a gente não seja obrigado a fugir, fingir ou mentir, onde a gente não tenha medo nem se sinta confuso (não haverá a palavra nem a coisa confusão, porque tudo será nítido e claro), onde as pessoas não se machuquem umas às outras, onde o que a gente é apareça nos olhos, na expressão do rosto, em todos os movimentos […]
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Caio F. Abreu, “Carta a Vera e Henrique Antoun, Porto Alegre, 23º de dezembro de 1971” in Caio Fernando Abreu: Cartas, de Italo Moriconi.

(Source: irremediavel)